segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Frio e o Ser humano...



"A origem deste meu tópico de discussão surgiu por causa do meu amigo Zé Augusto. Companheiro da bicicleta ao fim de semana e ávido por descidas íngremes, este amigo consome fins de semana de BTT. O problema é que eu, nem sempre assíduo quando está muito frio, por diversas vezes digo que não convém irmos andar com temperaturas muito baixas. Tudo o que seja abaixo dos 9º já me deixa a pensar.
Não que custe ou que depois de 15 minutos o pessoal já não esteja a aquecer. É só porque sempre ouvi dizer que não faz muito bem. Decidi então investigar. Aqui fica...

"Do ponto de vista psicológico, clima frio é aquele nos provoca a sensação de frio ou até mesmo desconforto. Do ponto de vista fisiológico, clima frio é aquele que altera nosso sistema de regulação de temperatura. Podemos dizer que esse nosso termostato funciona em “marcha lenta” em ambientes com temperaturas de 25-27oC, não disparando reações de aumento do metabolismo, no caso do frio ou de transpiração, no caso do calor. A inteligência maior dessa regulação encontra-se em um centro profundo do cérebro, o hipotálamo, e é ele que comanda nossas reações de suor, calafrios e constrição ou vasodilatação dos vasos sanguíneos em resposta à temperatura ambiente.

Será que realmente funcionamos em outro ritmo em dias mais frios?

A adaptação do nosso corpo ao frio envolve mecanismos neurológicos, que influenciam nosso sistema endocrinológico e vascular, mas é claro que também envolve mecanismos comportamentais, como tirar do armário aquele cobertor que só usamos algumas vezes no ano.

Vários fatores determinam a regulação do frio em um determinado indivíduo: idade, sexo, preparo físico, quantidade de gordura corporal. Até mesmo o tipo de personalidade do indivíduo pode influenciar: extrovertidos reagem mais ao desconforto do frio com maior aumento da pressão arterial e secreção de noradrenalina. Doenças sistêmicas e medicações também podem afetar a resposta individual ao frio.

Do ponto de vista de desempenho físico, o frio prejudica a função muscular em exercícios dinâmicos. Já em exercícios estáticos (isométricos), o frio não influencia tanto, e ao contrário, pode até aumentar a resistência muscular. Um recente estudo revelou associação entre o frio e a capacidade de equilíbrio, possivelmente por reduzir a eficiência de nossas “antenas” que regulam nosso balanço. E o nosso cérebro?

Sabemos que tanto o frio como o calor exagerados podem influenciar negativamente nossas habilidades mentais, e um balanço geral dos estudos existentes sugere que o frio tende a atrapalhar mais. Entretanto, alguns estudos também nos mostram que o frio leve/moderado pode melhorar nosso desempenho intelectual.

Duas principais teorias explicam o efeito do frio sobre nossas habilidades cognitivas. A primeira é do “efeito distração” que o desconforto associado ao frio pode causar, ao desviar nossa atenção da tarefa que estamos efetuando. A outra teoria defende a idéia de que o frio leve/moderado deixa-nos mais acordados, e o maior estado de vigília permite um melhor desempenho do nosso cérebro. Evidências neurofisiológicas apóiam essa hipótese, ao mostrar que a atividade elétrica cerebral no frio leve/moderado é mais “esperta”.

O frio pode reduzir nosso nível de vigília, nossa concentração e memória de curto prazo, entre outras funções cognitivas, especialmente em temperaturas abaixo de 10º C. No caso de hipotermia, ou seja, em situações de frio extremo em que a temperatura corporal chega a níveis inferiores a 35º C, pode-se observar sintomas de confusão mental e redução da vigília. O efeito do inverno sobre nosso comportamento também pode ter uma parcela de contribuição do fator luminosidade. Em países muito ao sul ou muito ao norte, o inverno vem acompanhado de pouca luz por conta de dias muito curtos, fenômeno que é bem reconhecido como fator que aumenta a freqüência de sintomas depressivos nessa estação. E depressão é igual a cérebro menos eficiente.

Também há evidências de que as concentrações dos hormônios da tiróide fiquem reduzidas em invernos rigorosos. E hormônios da tiróide são combustíveis importantes para o cérebro.

Até o momento, a melhor dica para nosso cérebro curtir o frio com boa performance é a de nos agasalharmos bem para não ficarmos distraídos com o desconforto do frio. No ambiente de trabalho, o ar condicionado simulando uma câmara frigorífica pode ser um fator de distração. Viver o inverno sem ficarmos lembrando que está frio pode até deixar o cérebro mais ligado. Um cafezinho vai muito bem também."


Fonte:
Dr. Ricardo Teixeira
Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) - Convênio com o SIS
SHLS 716 - Centro Clínico Sul - Torre II - 2º Andar - Sala 207 • 61 3346-5383 — 3346-9102


"Como para qualquer desportista, o que importa são as reservas de glicogénio muscular que possibilitam o trabalho do músculo; por este motivo, as instruções de preparação para a competição relativas à acumulação de glicogénio também se aplicam nesta situação (consultar o artigo "Dieta dissociada escandinava e os seus derivados").

Para conservar o calor do corpo num ambiente frio, o organismo gasta ¾ da energia. Mas isto é uma constante: seja qual for a temperatura exterior (quente ou fria), ¾ da energia gasta servem para garantir a termoregulação do corpo e ¼ serve para a contracção muscular.

Contudo, as provas em ambientes frios podem ter uma longa duração e o gasto energético correspondente pode ser muito elevado; nesse caso, a dose alimentar diária deve ser aumentada relativamente aos aportes habituais."


http://muscul.az.free.fr/pt/dietetic/froid.htm

Para aqueles que poderão sofrer de asma.
"Para a prática de exercício físico durante o Inverno, os asmáticos devem adoptar cuidados redobrados. Uma equipa de investigadores norte-americanos deixa algumas recomendações: proteger a boca e o nariz com um lenço, para aquecer o ar que entra nas vias respiratórias; fazer um aquecimento muscular adequado; tomar a medicação, tal como foi prescrita; beber muitos líquidos; e usar roupa contra o frio e contra a chuva."


http://www.tribunamedicapress.pt/patologias/12124-asmaticos-devem-proteger-se-para-praticar-exercicio-no-inverno

"Evitar exercício físico intenso, optar por fazer pequenos exercícios com braços, mãos e pernas (para activar a circulação sanguínea)"

http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2008/10/29/cuidados-a-ter-com-o-frio/